Conhecimentos Gerais |
Seqüestro de Carbono Ouvi o termo pela primeira vez há três meses atrás. Meu primo, consultor rural em Mato Grosso do Sul, MS, no centro oeste do Brasil, me disse que está sem tempo de ir ao banheiro. Ele tem mapeado fazendas e levantado as possibilidades de colocar as suas abelhas lá no estado de Goiás (nas plantações de girassóis que ele diz ser para produção de biodíssel). Ele ainda me disse que a grande demanda de mapeamentos estavam relacionados à programas de seqüestro de carbono e ao Protocolo de Quioto. Do Protocolo de Quioto, eu sabia, que este tinha a ver com, metas a cumprir de cotas de reduções de emissão do dióxido de carbono (CO2) e que o CO2 estavam diretamente relacionados com o efeito estufa e o aquecimento do planeta terra. Sabia ainda que os EUA emitiam mais de 40% do CO2 do ar atmosférico e que juntamente com a Austrália, o maior emissor do CO2 do hemisfério sul, não tinham referendado o protocolo. ( Uma notícia boa! Está no Nihon Keizai Shinbum (o equivalente ao Gazeta Mercantil do Brasil) de 5/05/2005, que o estado da Califórnia, o estado de Nova Iorque e mais 12 dos 50 estados dos EUA estão pressionando o governo Bush a aderir ao Protocolo de Quioto.) Não procurei saber mais sobre esse assunto, mas ficaram as pergunta. ¨Seqüestro de carbono? Porque eu não sabia a tradução do termo em japonês e em inglês convivendo diariamente com os noticiários nas duas línguas? Estaria o ¨seqüestro de carbono¨ relacionado com a lei do estado de MS que exige 20% em áreas verdes nas propriedades rurais? Com reflorestamento florestal? Tinha o seqüestro de carbono, a algo a ver com as inúmeras plantações gigantes de eucaliptos que vi aumentarem nessas últimas cinco visitas anuais que fiz a São Paulo e ao MS? Há menos de um mês atrás, em meados de Abril, li no MS Notícias, que o PL lançara na assembléia legislativa de MS, um projeto de lei sobre o seqüestro de carbono. A idéia por detrás do projeto era trazer fundos internacionais, dinheiro para o estado, através de créditos de carbono. Interessante. Haveria o termo débitos de carbono? (Sou pobre. As primeiras palavras que relaciono ao termo crédito são crediário, cartão de crédito, cartão de débito.) Mas, porque o PL ? O tal do ¨ seqüestro de carbono¨ é um negócio rentável? (Que dúvida! Deve ser rentável para que o partido que tem a imagem de latifúndiários e reis de bois estarem envolvidos nesse tal do seqüestro de carbono.) Ocupado em viabilizar a minha mudança para Bonito, MS, deixei as dúvidas de lado. Já fazem três dias que tento entender o que está por detrás do tema ¨ seqüestro de carbono¨. É que nas últimas três semanas, a TV japonesa tem feito várias coberturas sobre os perigos de inundação, do desaparecimento, da ilha-país de Tuvalu devido ao efeito estufa e de que somos, em parte, causa e responsáveis pelo destino da população daquele país . Efeito estufa, Protocolo de Quioto, emissão/redução de CO2, seqüestro de carbono, créditos de carbono, mapeamento de áreas verdes, desenvolvimento sustentável, eco-turismo sustentável,...etc. Eu, como futuro habitante de MS e me mudando para Bonito por causa do Pantanal me senti na obrigação de juntar as peças do quebra-cabeça, não esquenta cabeça. Fui à luta. Fui tentar descobrir como tudo isso estava interligado. A palavra chave da procura foi: seqüestro de carbono; o objetivo da pesquisa: entender porque o ¨ seqüestro de carbono¨ se tornara um tema da hora em MS. Digitei no motor de pesquisa do Google ¨sequestro de carbono¨. Resumo do que entendi. Com a criação e a implementação do Protocolo de Quioto, o carbono, um gás, passa a ser um comodity como o ouro, a soja ou os bois. Isto é, o carbono é hoje assunto de bolsas de valores e mercadorias. Fala-se em certificados de reduções de emissão de carbono, compra e venda de créditos de carbono, criação/ preservação de tanques de carbono. Mais do que nunca, projetos de reflorestamento, preservação de áreas verdes, recuperação de florestas– o que tem a ver com plantas e fotossíntese pode dar dinheiro. Uma tonelada de carbono-T/C pode vir a ser comercializado por 4 a 5 euros. Em uma ¨floresta plantada,¨ uma área de um hectare (10.000 m2) dessa ¨floresta¨ reteriam 10 T/C, um ha de uma ¨floresta regenerada¨ poderiam passar a produzir 4 T/C comerciáveis. (fonte:Mercoopsur) Como então ¨produzir¨ essas T/C? Estudamos que as plantas fazem a fotosíntese para obter parte dos nutrientes necessários à sua sobrevivência. Através da fotosíntese, as plantas transformam CO2 em carboidratos, isto é, as plantas captam o CO2 (dióxido de carbono) da atmosfera, detêm o C (carbono) nas suas folhas, caules e raízes e devolvem o O (oxigênio) à atmosfera. Esse processo de pegar o C e prender o C é chamado de seqüestro de carbono. As plantas verdes são os maiores seqüestradores de carbono da natureza. As florestas são grandes tanques de carbono. É sabido que alguns plânctons também seqüestram carbono. Como as algas marinhas também fazem a fotossíntese, os oceanos que cobrem 2/3 do planeta terra também são tanques de carbono. O maior reservatório de carbono é o solo. Indiretamente, também somos seqüestradores de carbono pois comemos plantas e animais, isto é, ingerimos carboidratos (CH2) e retemos o C no corpo mas é uma pena que a não podemos seqüestrar o C direto do ar atmosférico e inconscientemente contribuir para a diminuição do aquecimento global. Mas conscientemente podemos contribuir na diminuição do aquecimento global, criando tanques de carbono, plantando e conservando o verde. Como o C é regido pelo ciclo do carbono, o C que não está nos tanques está no ar atmosférico, principalmente na forma de CO2, resultado da queima dos derivados do petróleo e do carvão. Crescentes emissões de CO2 desses últimos 150 anos faz hoje o CO2, ser responsável por 90% do efeito estufa. Agora, emitir CO2 passou a ser do mal e reduzir CO2 da atmosfera passa a ser do bem. Com Protocolo de Quioto, dos 171 países presentes nas discussões, 35 países, dos quais só a Nova Zelândia e a Austrália estão no hemisfério sul, passam a ter cotas de diminuição de emissão de CO2. Países, como o Brasil que assinaram o Protocolo de Quioto mas que não têm cotas a cumprir, podem se tornar fontes de balanceamento dessas cotas. Por exemplo, uma indústria de um dos países industrializados que tem uma cota grande de redução de emissão de CO2, pode investir na transformação do lixão de Campo Grande em um aterro sanitário; ou financiar projetos de reflorestamento/ recuperação florestal e contabilizar como suas os resultados desses investimentos. Esses investimentos nesta forma de atingir a cota de redução , é conhecido como Mecanismos de Desenvolvimento Limpo – MDL . Projetos que forem aprovados como MDL poderão emitir Certificados de Redução de Emissão As indústrias desses 35 países industrializados, podem contabilizar Certificados de Reduções de Emissão, para cumprirem suas cotas. E ainda, se reduzirem as emissões abaixo das cotas estabelecidas, passam a ter créditos de emissão de CO2, os créditos de carbono. As peças do esquenta-cabeça começam a se encaixar. Em MS, planta-se eucaliptos, (podemos chamar isso de reflorestamento?) e por uns 7 anos ou mais esses eucaliptos seqüestrariam carbonos. Essas ¨florestas de eucalíptos¨ seriam contabilizados como seqüestradores de carbono e emitiriam certificados de reduções de emissão. Enquanto os eucaliptos crescem nas plantações, o produtor ¨ganhariam¨ com a comercialização desses títulos. (Ah! Uma pena, mas plantações de monoculturas não estão valendo!) O governo estadual de MS exige dos produtores rurais que mantenham verdes, 20% das propriedades rurais. Essa exigência poderia agora ser ¨remunerada¨ renomeando as reservas verdes de ¨floresta de seqüestradores de carbono¨ e traduzindo essas T/C em certificados de reduções de emissão. O PL, o estado do MS com uma boa parte do seu território coberto pelo pantanal e tendo como principal economia do estado, a criação bovina em propriedades rurais com pelo menos 20% dessas em forma de ¨reservas verdes¨, tem urgência dos números de T/C seqüestrados. Não é de se admirar que o primo agrônomo ande tão atarefado. Os dados que ele coletar poderão ser traduzidos em certificados de reduções de emissão e estas nas mãos de países industrializados, passariam a valer como créditos de carbono e comercializados no mundo mercantil. Mas tudo isso é só o começo de um processo de redução e controle da emissão de gases responsáveis pelo aquecimento global.. O Protocolo de Quito só começou a ser implantado em 16 de fevereiro de 2005, e ainda há muito para ser delineado e delimitado. E os girassóis para a produção de biodíssel? Como estão elas relacionadas com o seqüestro de carbono? A matemática do seqüestro de carbono, certificados de reduções de emissão, créditos de carbono estão longe de ser solução ao problema central do aquecimento do planeta terra que é a queima de petróleo (fóssil animal) e emissão de CO2. Para continuarmos o desenvolvimento econômico, solução melhor, seria a implementação das bioenergias. (Divulgação autorizada e desejável) “A queima das bioenergias devolve menos carbono ao ar do que o absorvido pelas plantas, resultando no "efeito geladeira", oposto do "efeito estufa" originado pelo uso dos poucos e agonizantes combustíveis fósseis". – Thomas Renatus Fendel Fontes: http://www.arvoresbrasil.com.br/ ¨sequestro de carbono¨ Leopoldo Garcia Brandão http://mercoopsur.com.ar/ ¨sequestro de carbono¨ ¨Créditos de Carbono¨ Amyra El Khalili AnBio, Associação Nacional de Biosegurança http://www.anbio.org.br/bio/biodiver ¨sequestro de carbono¨ Clean Development Mechanism Watch http://www.cdmwatch.org/index.php |